Delegado Hoffman, preso desde 24/09, é transferido para presídio federal em Campo Grande
Policial civil é acusado de participar de esquema de desvio de cocaína de delegacias; transferência ocorreu durante a Operação Ifrit, da PF e da Receita Federal, segundo a Polícia Federal.

O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa foi transferido nesta quarta-feira (4) da cela do Garras para o Presídio Federal de Campo Grande, segundo informações da Polícia Federal (PF) divulgadas pelo Correio do Estado. Ele está preso desde 24 de setembro, acusado de participar de um esquema de desvio de cocaína de dentro de delegacias.
Motivos não foram esclarecidos
De acordo com a reportagem, a PF não esclareceu os motivos da transferência, mas deixou claro que ela ocorreu em meio à Operação Ifrit. A corporação também não informou se a mudança teve relação com algum fato ocorrido na cela do Garras.
Ainda segundo a PF, há "uma infinidade de provas" do envolvimento do delegado com o grupo que desviava cocaína de delegacias, e por isso a Justiça foi chamada a determinar a transferência para o sistema federal. Até o momento, trata-se de acusação apresentada pela polícia, e o delegado não foi condenado, conforme as informações disponíveis.
Operação Ifrit
A Operação Ifrit foi realizada em Mato Grosso do Sul e em mais seis estados por agentes da PF e da Receita Federal. Ao todo, segundo o Correio do Estado, foram cumpridos 26 mandados de prisão e 76 de busca e apreensão em MS, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Em Mato Grosso do Sul, a maior parte dos alvos estava em Campo Grande e Ponta Porã.
Os investigadores afirmam que o grupo investigado, suspeito de tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro, seria ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A Receita Federal estima que a organização tenha movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos. O site Diário Digital também registra, em resumo, que quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático indicaram movimentação superior a esse valor.
Segundo a PF, outros dez alvos da operação também ficarão em presídios federais, em razão do que a corporação descreve como a violência da organização.
Balanço parcial
Até por volta das 13h de quarta-feira, haviam sido cumpridos 16 mandados de prisão: nove em Mato Grosso do Sul, três em Santa Catarina, dois em São Paulo, um no Paraná e um em Mato Grosso. Também foram feitas três prisões em flagrante.
Todos os citados na investigação são considerados suspeitos, e a defesa do delegado não foi mencionada nas fontes consultadas.
Atualização — 05/11/2026, 14:49
Atualização: o Campo Grande News informou que, além da transferência, Hoffman teve um novo mandado de prisão cumprido durante a Operação Ifrit, já que estava detido na sede do Garras. O jornal diz ter apurado que ele foi levado ao Presídio Federal. Procurado, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa disse que "nada tem a dizer" no momento, e o também defensor João Pedro da Silva Fialho não falou com a imprensa. Em 28 de outubro, a defesa havia pedido a revogação da prisão preventiva com medidas cautelares ou a conversão em prisão domiciliar humanitária, por questões de saúde. Ainda não há decisão sobre o pedido. Segundo a reportagem, a operação cumpre 108 ordens judiciais da 3ª Vara Federal de Campo Grande: 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva, 1 de prisão temporária e 3 medidas de monitoração eletrônica. A PF afirma que a organização era liderada por um núcleo familiar e tinha participação de policiais civis e militares de MS e de um policial rodoviário federal. Trata-se de acusação da PF, e não há condenação.