Júri da Chacina do Curió é adiado após defesa de PM apresentar atestado médico
Sessão de novo julgamento dos policiais José Oliveira do Nascimento e José Wagner Silva de Souza foi remarcada pelo TJCE; Ministério Público vê estratégia da defesa, que nega.

O novo júri da Chacina do Curió, marcado para esta quarta-feira (4), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, foi adiado após a defesa de um dos réus apresentar atestado médico. Segundo o Diário do Nordeste, a nova data ainda será definida pela Justiça do Ceará.
O julgamento reexaminaria o envolvimento dos policiais militares José Oliveira do Nascimento e José Wagner Silva de Souza nas 11 mortes ocorridas em novembro de 2015. Eles foram condenados em 2023, mas as sentenças foram anuladas em agosto deste ano, o que levou à determinação de um novo júri.
O que diz o TJCE
De acordo com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o julgamento foi remarcado para data a ser designada em razão do atestado apresentado pela defesa de José Oliveira. O tribunal informou que a sessão foi iniciada por volta das 10h10.
O advogado Mayko Alcântara, que representa José Oliveira, apresentou o atestado na manhã desta quarta à 1ª Vara do Tribunal do Júri. O documento, segundo o jornal, apontava amigdalite aguda. Outros dois advogados previstos para atuar, Josias Conde Lima e Giancarlo Pereira de Souza, também não compareceram.
Por decisão do juiz Marcos Aurélio Marques Nogueira, a OAB-CE foi notificada sobre a conduta dos advogados. O Diário do Nordeste aguardava retorno da seccional.
Defesa nega manobra
Em nota, Mayko Alcântara afirmou que a ausência se deu por motivos de saúde e que "a ausência de um defensor por motivos de saúde devidamente comprovados não pode ser confundida com manobra processual". Ele disse ainda que Josias e Giancarlo nunca atuaram tecnicamente na defesa do policial e que a vinculação dos nomes ao processo foi um "equívoco formal de registro cadastral".
Desmembramento negado
O advogado de José Wagner, Cícero Roberto, pediu o desmembramento do processo e a manutenção do júri para o seu cliente. O Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Defensoria Pública, que atua na assistência à acusação, discordaram. O juiz também negou o pedido, por entender que os dois réus ocupavam a mesma viatura e devem ser submetidos ao mesmo Conselho de Sentença.
O magistrado também não acolheu o pedido de prisão preventiva de José Oliveira, por considerar que ele compareceu ao plenário e que a conduta do advogado não pode gerar efeito sobre o réu. O policial segue em liberdade.
O promotor Rafael Matos afirmou que, para o MPCE, a conduta dos advogados é uma estratégia, já que só um dos três defensores particulares apresentou atestado. Familiares das vítimas, representados por Edna Carla Souza Cavalcante, do movimento Mães do Curió, também criticaram a atitude da defesa.
Contexto
A chacina ocorreu entre 11 e 12 de novembro de 2015, na Grande Messejana. Em 2023, José Oliveira foi condenado a 210 anos e 9 meses de reclusão e José Wagner a 13 anos e 5 meses, por tortura. As sentenças foram parcialmente anuladas em segunda instância após recurso das defesas. Os réus são considerados acusados até nova decisão da Justiça.