Saúde, Ciência e Educação

Ministério da Saúde projeta alta de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027 por causa do El Niño

Ministro Alexandre Padilha diz que governo trabalha para retomar a vacina Butantan-DV, suspensa em junho, mas não deu prazo para a decisão.

Por Redação Fofoqueixon ·

Imagem ilustrativa: Alexandre Padilha
Imagem ilustrativa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Ministério da Saúde projeta que o fenômeno climático El Niño deve elevar os casos de dengue em 2027. Segundo o Poder360 e a Tribuna Online, a estimativa da pasta é de alta de 20% a 40% nas infecções no próximo ano. A pasta também espera impacto sobre outras arboviroses, como a chikungunya.

Por que a alta é esperada

O ministro Alexandre Padilha afirmou que o cenário reflete a combinação do El Niño com a situação epidemiológica da dengue, que teve queda de casos nos últimos dois anos. "Isso faz com que você tenha populações mais suscetíveis a contrair determinados sorotipos", disse. De acordo com o Poder360, as declarações foram dadas a jornalistas na quarta-feira (4).

Padilha também citou diferenças regionais. Para ele, a doença pode ter intensidade maior onde houver mais seca, "como no semiárido e na Amazônia".

O que diz o relatório da Fiocruz

Um relatório da Fiocruz divulgado no início de outubro estimou cerca de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue em 2027, sem considerar o El Niño. O número fica próximo ao de 2025, que teve 1,66 milhão. Em 2026, o painel do ministério registra 489.197 casos prováveis desde janeiro, além de 368 mortes confirmadas e outras 116 em investigação.

No cenário de El Niño forte, o documento estima, de setembro deste ano ao início de 2027, aumento de 49,1% dos casos prováveis no Nordeste, 68,9% no Norte, 84,9% no Sudeste, 98,4% no Centro-Oeste e 138,2% no Sul. O relatório não projeta o ano completo de 2027 com o fenômeno.

Vacinas

A aplicação da Butantan-DV no SUS foi suspensa em junho, após 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes. Padilha disse que o ministério e o comitê de especialistas seguem analisando os dados e não citou prazo para decidir. "Nós acreditamos, trabalhamos para isso, torcemos para isso, para que a gente possa ter essa vacina disponível para utilizar. Pelo menos no ano que vem", declarou.

Enquanto isso, o SUS conta apenas com a Qdenga, oferecida a pessoas de 10 a 14 anos. Segundo o Poder360, o ministro afirmou que não há discussão sobre ampliar esse público.

Padilha disse ainda que levará à COP31, marcada de 9 a 20 de novembro na Turquia, dados sobre a resposta do SUS às mudanças climáticas, como unidades de saúde e hospitais com maior capacidade de armazenamento de água.

Fontes

  1. Jornal do Tocantins
  2. Tribuna Online
  3. Poder360

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