MP-SP pede investigação da ex-namorada e de engenheiro da defesa de Sastre no caso Porsche
Ministério Público requisitou à Polícia Civil dois inquéritos por suspeita de falso testemunho e falsidade ideológica; Fernando Sastre foi condenado pelo júri no fim de outubro.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) requisitou à Polícia Civil a abertura de dois inquéritos policiais para investigar a ex-namorada e um engenheiro que atuou na defesa de Fernando Sastre de Andrade Filho, condenado pela morte de Ornaldo da Silva Viana e por ferimentos graves em Marcus Vinicius Machado Rocha no acidente com um Porsche. Segundo o SBT News, os pedidos foram encaminhados em 4 de novembro e apuram suspeitas de falso testemunho e falsidade ideológica relacionadas a informações apresentadas no processo judicial.
Suspeita de falso testemunho
O primeiro ofício pede a investigação de Giovanna Pinheiro Silva, então namorada de Fernando. De acordo com o MP, ela afirmou, em depoimentos prestados na investigação policial e na fase judicial, que o motorista não havia consumido bebidas alcoólicas na noite do acidente. Ela teria dito que ele bebeu apenas água no restaurante Porchetteria e não ingeriu álcool na casa de pôquer.
Segundo o Ministério Público, as declarações foram contrariadas por elementos reunidos no processo. Durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, Fernando admitiu ter consumido bebida alcoólica no restaurante, e a comanda da mesa, paga com o cartão dele, registrou nove drinques alcoólicos. Uma testemunha afirma ter visto Fernando cambaleante na casa de pôquer e relatou uma discussão para impedi-lo de dirigir.
Parecer técnico sob suspeita
O segundo inquérito envolve Alfredo Vieira das Neves Júnior, engenheiro que atuou como assistente técnico da defesa. Ele é investigado por suspeita de falsidade ideológica após apresentar parecer que atribuiu parte da dinâmica do acidente a possíveis falhas eletromecânicas do veículo.
A Promotoria aponta supostas inconsistências na interpretação de registros eletrônicos do Porsche. Conforme o ofício, o profissional citou problemas que o fabricante não identificou, como o congelamento assimétrico do eixo traseiro e falha na câmera frontal. O MP afirma que respostas da fabricante e um parecer técnico do Centro de Apoio à Execução (CAEx) já estavam nos autos, mas não foram mencionados. O órgão suspeita que o parecer tenha sido produzido para alterar a verdade sobre a causa da colisão perante o Conselho de Sentença.
Condenação e o acidente
Fernando Sastre foi condenado pelo Tribunal do Júri em julgamento realizado entre 28 e 30 de outubro de 2026, por homicídio qualificado pelo perigo comum, com dolo eventual, e por lesão corporal gravíssima. O acidente ocorreu em 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo, quando o Porsche 911 atingiu o veículo das vítimas a 136 km/h, em via com limite de 50 km/h.
As informações são acusações do Ministério Público, que ainda serão apuradas pela Polícia Civil. As fontes consultadas não trazem manifestação dos citados.