Criminalidade Brasil

Operação Padrinho: Polícia Civil prende 72 em ação contra homicídios no centro do RS

Segundo a Polícia Civil, mais de 230 ordens judiciais foram cumpridas em Santa Maria, Restinga Sêca, Caçapava do Sul e em presídios; investigação mira organização suspeita de ordenar execuções.

Por Redação Fofoqueixon ·

Operação Padrinho: Polícia Civil prende 72 em ação contra homicídios no centro do RS
Imagem: reprodução/Polícia Civil RS

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã de quarta-feira (4), a Operação Padrinho, voltada ao combate a crimes de homicídio e organização criminosa. A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Santa Maria (DPHPP/Santa Maria), com apoio da Brigada Militar, da Polícia Penal e do Instituto-Geral de Perícias.

Ordens judiciais e prisões

De acordo com a Polícia Civil, foram cumpridas mais de 230 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, sequestros de veículos e bloqueios de contas bancárias. As ações ocorreram em Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul. Também havia ordens sendo cumpridas nas casas prisionais PASC, PESM, PRSM, PEJULI e PESB. Até o momento, 72 pessoas foram presas, segundo a corporação. Os presos serão encaminhados ao sistema prisional.

Origem da investigação

A apuração começou em 13 de agosto de 2025, a partir de um homicídio qualificado no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. Conforme a polícia, a vítima foi morta com 15 disparos de arma de fogo calibre 9mm em frente à residência. A análise da rota de fuga dos atiradores levou os investigadores a apontar o envolvimento de uma organização criminosa de Santa Maria. Segundo a investigação, o crime teria sido uma retaliação ordenada pela cúpula do grupo.

A polícia afirma que o grupo foi o que mais cometeu assassinatos naquele ano e que tem estrutura hierárquica, com divisão de tarefas e ligação com uma macrofacção de alcance estadual. O nome da operação, segundo a corporação, faz referência à forma reverencial com que o líder máximo era tratado pelos subordinados.

Atuação dentro e fora dos presídios

Para o delegado Adriano Rossi, titular da DPHPP/Santa Maria, a ofensiva busca desarticular uma organização "enraizada na região e no sistema prisional". Ele afirmou que a cúpula exercia influência sobre duas galerias do sistema prisional local, usadas, segundo a investigação, para coordenar a logística do tráfico, gerenciar rotinas internas e expedir ordens de execução fora das unidades.

A polícia também sustenta que o grupo tinha um arsenal de fuzis e pistolas e movimentava recursos da venda de drogas, depois ocultados.

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Mario Souza, disse que a operação visa à responsabilização penal pelos homicídios, ao isolamento dos integrantes e ao "estrangulamento financeiro e logístico" da organização.

A ação integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios do DHPP (P7). Os nomes dos presos não foram divulgados. As acusações partem da investigação policial, e os suspeitos têm direito à ampla defesa.

Fontes

  1. G1
  2. Polícia Civil RS

Encontrou um erro? Peça uma correção