Vance culpa guerra no Irã por derrota republicana; Trump diz que 'em grande parte' é verdade
Vice-presidente afirmou que eleitores de Trump em 2024 migraram para os democratas nas eleições de meio de mandato. Presidente concordou em parte, mas diz que atacaria o Irã de novo.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou nesta quarta-feira (4) que os republicanos perderam o controle do Congresso por causa da guerra no Irã. Em publicação nas redes sociais, ele escreveu que "o motivo pelo qual perdemos foi a guerra" e que "o próprio presidente disse isso ontem à noite", segundo o g1.
Eleitores que mudaram de lado
Vance também argumentou que o problema principal não foi o comparecimento às urnas, mas a migração de eleitores. "O principal problema foi que muitas pessoas que votaram em Trump/Vance em 2024 votaram nos democratas em 2026", escreveu. De acordo com ele, pesquisas internas indicavam que esse grupo estava insatisfeito com a guerra, o custo de vida e a inflação, a prioridade à política de "America First" e a relação dos EUA com Israel. Para a Folha, a declaração ocorre em meio a especulações sobre uma possível candidatura de Vance à Presidência em 2028.
O que disse Trump
Donald Trump admitiu, em entrevistas à Fox News e ao Wall Street Journal, que o Irã pesou no resultado. "O Irã foi um dos fatores", disse ao jornal. Mais tarde, questionado sobre a avaliação de Vance, afirmou que ela é "em grande parte verdade", porque a guerra fez a gasolina subir "um pouco no curto prazo". Ele acrescentou, porém, que, se tivesse de decidir de novo, faria o mesmo: "Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear".
Cenário no Congresso
Segundo a Folha, com a apuração ainda em andamento, os democratas tinham até a tarde de quarta 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos, e ao menos 54 das 100 vagas do Senado. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que a guerra precisa terminar e sugeriu usar o controle sobre os gastos federais para pressionar a Casa Branca.
A guerra, iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, elevou os preços de combustíveis e passagens aéreas e a inflação geral, segundo o g1. Uma pesquisa Reuters/Ipsos feita na véspera da eleição mostrou que 55% dos eleitores consideram que a ação militar não valeu o custo, e 25% acham que valeu. Outra sondagem da agência, divulgada na segunda-feira (2), apontou aprovação de 32% a Trump.
Em Teerã, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, escreveu no X: "Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem".